Uma dieta restrita pode retardar o envelhecimento

25/08/2009

Uma dieta restrita pode retardar o envelhecimento

Uma Dieta Restrita Pode Retardar O Envelhecimento

Uma dieta é uma série constante de negociações internas e acordos. Você concorda em desistir daquele segundo pedaço de pizza, por exemplo, na esperança de caber dentro do seu jeans justíssimo. Você vive sem bacon para que não precise ficar mais tempo fazendo aquele exercício monótono. Você ignora as batatas fritas se puder comer uma colher de sorvete no lugar delas. Nós desistimos de alguma coisa na esperança de ter outra coisa melhor. Mas e se, ao desistir da fatia de pizza, você pudesse viver 10 minutos a mais – você faria esse acordo?

Não é um acordo hipotético com o diabo; é parte de uma barganha feita pelas pessoas que adotaram a restrição calórica como um modo de vida. Restrição calórica é uma dieta que envolve cortar até 30% das calorias ingeridas por dia, enquanto você ainda consome todos os nutrientes necessários. Essa porcentagem de calorias tem sua importância. Digamos que você precise de 2 mil calorias por dia para manter seu peso, o que é a média para a maioria das pessoas. Se você adotar uma dieta com restrição de calorias, o máximo que poderá consumir é 1.400 por dia. Então você terá que desistir de mais do que só um pedaço de pizza – você vai pular refeições inteiras. A dieta é frequentemente descrita como austera, drástica e perversa, e mesmo os devotos admitem que passam fome por uma boa parte do tempo.

Então qual é a recompensa? Cientistas acreditam que a restrição calórica ajuda mamíferos a viverem mais tempo. Em 1935, um nutricionista da Universidade de Cornell, nos EUA, descobriu que uma dieta com 30% menos calorias causou um aumento de 40% na expectativa de vida – de ratos [fonte: Mason]. Esse tipo de aumento é o equivalente humano à idade velha e madura de 112 anos [fonte: Dibbell]. Desde então, ratos têm sido submetidos em um vasto número de dietas, enquanto cientistas tentam determinar qual é o melhor para a longevidade. Assim como células de fermento biológico, lombrigas, moscas drosófilas, macacos e labradores, que tiveram um aumento na expectativa de vida consumindo menos calorias. E também não é apenas uma questão de anos. Essas espécies não só vivem mais, mas também têm vidas significativamente mais ativas do que os companheiros que não estavam de dieta. Além disso, as espécies têm menos ocorrências de doenças associadas ao envelhecimento, como o câncer.

Isso significa que os humanos devem adotar uma dieta com restrição de calorias?

O que a restrição de calorias parece na prática?

Como é uma dieta de restrição de calorias?
Não há estudos formais sobre a restrição de calorias em humanos. Nós sabemos que ela funciona em ratos e moscas drosófilas porque eles têm uma expectativa de vida pequena; um estudo que esperasse repetir o resultado em humanos demoraria décadas. É muito difícil imaginar uma pessoa que se candidatasse a passar fome na maior parte de sua vida quando benefícios a longo prazo ainda são desconhecidos.

A receita da longevidade?


Ainda assim, nós temos algumas evidências básicas de que o regime pode ter benefícios. Em Okinawa, no Japão, por exemplo, que tem muitos centenários em sua população, as pessoas tradicionalmente consomem menos calorias. Após as duas guerras mundiais, quando o suprimento de comida era escasso, menos pessoas morreram de doenças relacionadas à idade, como doença de artéria coronária, diabetes tipo 2 e câncer [fonte: Hochman]. Quando pesquisadores no complexo autossustentável Biosfera 2 (um projeto com o objetivo de recriar os principais ecossistemas terrestres) se viram com o estoque de comida acabando nos anos 1990, eles adotaram uma dieta com restrição de calorias; um dos pesquisadores, Roy Walford, tornou-se um dos principais devotos da dieta, escrevendo livros como "A Dieta dos 120 anos" e "O Plano Antienvelhecimento". Walford morreu em 2004 de esclerose lateral amiotrófica (ELA, mais conhecida como doença de Lou Gehrig).

Mesmo sem evidência científica dos benefícios da longevidade, muitas pessoas adotaram a restrição de calorias na esperança de diminuir o processo de envelhecimento. Um defensor da restrição de calorias divulgou sua dieta diária no jornal "The New York Times" em 2003:


•Café da manhã: um megamuffin, uma mistura caseira com 30 ingredientes incluindo gérmen de trigo cru, farelo de trigo de arroz, fermento de levedura, uma cenoura, morangos e casca de psyllium (o ingrediente ativo do Metamucil)
•Almoço: uma barra de proteínas ou um sanduíche de rosbife, mas sem o pão
•Jantar: uma porção de brócolis, abobrinha e salmão em conserva, totalizando 300 calorias, seguidos de uma sobremesa composta de salada de frutas cobertas por proteínas do soro de leite (açúcares simples e farinhas são os primeiros a serem eliminados numa dieta de restrição calórica)

É bom notar que essa dieta não era compartilhada pela esposa ou os filhos dele, o que apenas aumentaria o trabalho envolvido nessa rotina. Restrição de calorias pode parecer um trabalho de tempo integral, que inclui medir e pesar a comida, aprender quais comidas têm os nutrientes necessários sem ser uma bomba calórica e rastrear as calorias consumidas enquanto se mantém um balanço de carboidratos, proteínas e gordura. Pode também ser uma dieta cara, já que envolve vegetais frescos e grãos esquisitos disponíveis apenas em marcas de grife.

Novamente, não há estudos formais sobre como a restrição calórica funciona em humanos. Mesmo assim, alguns cientistas pensam ter uma idéia de quantos anos uma vida regada a megamuffins irá nos dar.

A restrição de calorias é o futuro?

Legumes são importantes para uma dieta com restrição de calorias.

Cientistas acreditam que consumir um número significativamente menor de calorias pode aumentar sua expectativa de vida em quatro ou cinco anos [fonte: Britt]. Mesmo que um ganho de apenas alguns anos a mais possa não parecer impressionante, considerando que os ratos de laboratório viveram muito mais percentualmente, vale considerar que a dieta pode trazer alguns benefícios adicionais à sua saúde. Em alguns estudos, a restrição de calorias diminuiu a pressão sanguínea, melhorou a saúde do coração e estimulou o sistema imunológico das pessoas. Algumas pessoas também demonstraram menor temperatura do corpo e menor nível de insulina, o que se acredita ser a ligação com a longevidade.

Esse é o problema com a pesquisa sobre longevidade e a restrição calórica: cientistas têm muitas crenças e teorias sobre como medir os resultados, mas eles não estão exatamente certos sobre o que estão procurando. Nós nem temos certeza sobre como exatamente funciona a restrição de calorias. Há duas escolas básicas de pensamento, uma defendendo que ela funciona porque o estresse de passar fome muda o corpo para uma resposta de autopreservação que ajuda a sobreviver mais com menos. Outros acreditam que por simplesmente dar menos ao seu corpo, certos sistemas não precisam trabalhar tão pesado, assim têm menos desgaste. Mas ser mais específico envolveria diferentes hipóteses sobre se genes, hormônios, radicais livres ou divisão celular fazem muita diferença.

Mesmo essas confiáveis criaturas de laboratório não ajudam a resolver tudo isso, e muitos estudos apenas demonstram o pouco que sabemos sobre essa dieta. Restrição de calorias estende a vida em moscas drosófilas, mas não em moscas comuns [fonte: Wanjek]. Ela beneficia ratos gordos, mas não os já magros, e funciona em ratos que foram criados especificamente para estudos de laboratório, mas não ratos encontrados na natureza [fontes: Britt, Wanjek]. Quando a restrição de calorias é muito extrema, com redução de 60%, os ratos morrem de fome [fonte: Wanjek].

Essa dieta pode reduzir o crescimento em crianças, mas cientistas não têm certeza quando uma pessoa deveria começar a restrição de calorias para obter benefício máximo. Ela também não seria prudente para os idosos ou doentes, e mesmo pessoas perfeitamente saudáveis podem não conseguir sustentar uma dieta tão escassa. Existem, claro, alguns efeitos colaterais por comer menos, incluindo perda da libido, interrupção de períodos menstruais, perda de memória e massa muscular, e vertigem. Você pode parecer magro e esbelto, mas pode sofrer outros efeitos cosméticos estranhos – um artigo da revista New York falava sobre um homem que tinha mãos laranja por consumir tanto carotenóide, encontrado em alimentos como cenoura, mamão e abóbora [fonte: Dibbell].

Aqueles interessados em restrição de calorias são encorajados a consultar um médico antes de começá-la, mas não fique surpreso se você for encarado com desdém. Muitos simplesmente não acreditam que essa dieta extrema é praticável, o que é a razão de alguns pesquisadores se focarem em encontrar uma pílula que possa imitar os efeitos de uma restrição calórica. Até lá, considere o seguinte: será que vale a pena viver para sempre se você não puder pedir pipoca no cinema, viajar para a Itália por um prato cheio de macarrão ou comer um pedaço de bolo no casamento de alguém querido?

Fontes (em inglês)

•Britt, Robert Roy. "Live Longer: The One Anti-Aging Trick That Works." LiveScience. 8 de julho de 2008.
•"Calorie restriction: Is this anti-aging diet worth a try?" Mayo Clinic.
•Cohen, Philip. "Eat more, weigh less, live longer?" New Scientist. 23 de janeiro de 2003.
•Dibbell, Julian. "The Fast Supper." New York. 23 de outubro de 2006.
•Grady, Denise. "Low-Calorie Diet May Lead to Longer Life." New York Times. 5 de abril de 2006.
•Hawaleshka, Danylo. "A Recipe for Disaster, or the Skinny on Living Long?" Maclean's. 15 de janeiro de 2007.
•Hochman, David. "Food for Holiday Thought: Eat Less, Live to 140?" New York Times. 23 de novembro de 2003.
•Khamsi, Roxanne. "Cutting calories may boost your lifespan." New Scientist. 4 de abril de 2006.
•Lemonick, Michael D. "Eat Less, Live Longer?" Time. 30 de agosto de 2004.
•Mason, Michael. "One for the Ages: A Prescription That May Extend Life." New York Times. 31 de outubro de 2006.
•Motluk, Alison. "Low fat, low protein diet boosts longevity." New Scientist. 31 de maio de 2005.
•Parker-Pope, Tara. "Reducing Your Daily Calories by 40%: The Science Behind 'Starvation' Diets." Wall Street Journal. 31 de janeiro de 2006.
•Roan, Shari. "Running on Empty." Los Angeles Times. 2 de fevereiro de 2009.
•Saint Louis University. "Looking for the Fountain of Youth? Cut Your Calories, Research Suggests." ScienceDaily. 6 de julho de 2008.
•Sinclair, David. "The Achilles' Heel of Aging." Seed Magazine. 20 de abril de 2009.
•Spiesel, Sydney. "Deprive Yourself: Will eating a low-cal diet make you live longer?" Slate. 6 de abril de 2006.
•Spinney, Laura. "Eat your cake and have it." Nature. Junho de 2006.
•Traister, Rebecca. "Diet your way to a long, miserable life!" Salon. 22 de novembro de 2006.
•Wade, Nicholas. "Yes, Red Wine Holds Answer. Check Dosage." New York Times. 2 de novembro de 2006.
•Wanjek, Christopher. "Longevity from Calorie-Restriction Diet Questioned." LiveScience. 27 de janeiro de 2009.
•Weindruch, Richard. "Calorie Restriction and Aging." Scientific American. Dezembro de 2006.

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