Consumo de oxigênio pós-exercício

10/05/2011

Consumo de oxigênio pós-exercício

consumo de oxigênio pós-exercício
Consumo Oxigenio Pos Exercicio

Após o término da atividade física, o consumo de oxigênio permanece elevado por vários minutos ou até mesmo horas dependendo da intensidade, volume e tipo do exercício (Binzen et al., 2001; Burleson et al., 1998; Thornton et al., 2002, Elliot et al., 1992). Este fenômeno é conhecido como consumo excessivo de oxigênio pós-exercício (EPOC, do inglês excess post-exercise oxygen consumption), e pode ser atribuído às alterações ocorridas em diversos mecanismos fisiológicos, como temperatura corporal, taxa ventilatória, níveis hormonais, atividade cardíaca, reabastecimento dos estoques de ATP-CP, reposição de oxigênio na circulação e no músculo, oxidação de lactato, ressíntese de glicogênio, bomba de sódio-potássio (Bahr et al., 1992; Haltom et al., 1999), maior concentração de catecolaminas, presença de cortisol, aumento no metabolismo dos ácidos graxos, lesão muscular induzida pelo exercício (Gaesser e Brooks, 1984; Dolezal et al., 2000), entre outros.

Treino de força x Aeróbio

Na tentativa de avaliar o EPOC em diferentes tipos de atividades, diversos estudos têm confrontado o treinamento de força com o exercício aeróbio (Drummond et al., 2005; Braun et al., 2005; Burleson et al., 1998; Crommett e Kinzey, 2004).

Nos exercícios aeróbios, a magnitude e a duração do EPOC parecem depender diretamente da intensidade e da duração da sessão de treinamento. Por exemplo, intensidades com 50-80% do VO2máx por 5-20 minutos não têm gerado EPOC por mais de 35 minutos. No entanto, quando o treino é realizado com intensidades próximas ao limiar ventilatório por 20-40 minutos, o EPOC tem uma duração maior, mas dificilmente excede 40 minutos (Borsheim e Bahr, 2003).

Agora, ao analisar o treinamento de força, a resposta do EPOC se apresenta bastante variada. Provavelmente em decorrência de uma maior combinação de intensidade, volume, velocidade de execução, intervalo entre as séries, forma de execução e ordem dos exercícios, entre outras variáveis (Meirelles e Gomes, 2004; Matsuura et al., 2006; Neto e Farinatti, 2009). Neste sentido, pesquisadores relatam que esse tipo de atividade pode proporcionar um EPOC com duração de 30 minutos a 38 horas, ou mesmo dias, dependendo do protocolo utilizado (Burleson et al., 1998; Schuenke et al., 2002; Neto e Farinatti, 2009).

Braun et al. (2005) compararam a corrida em esteira rolante (85% da frequência cardíaca máxima) com três séries de circuito (15 repetições a 65% de 1RM) e encontraram EPOC significativamente maior durante os 30 primeiros minutos de recuperação no grupo que realizou o treinamento de força. No entanto, em um estudo anterior, Crommett e Kinzei (2004) não encontram diferenças significativas no EPOC, entre três séries de 8-12 repetições com 70% de 10RM e 12 minutos de ciclo ergômetro a 60/65% do VO2máx. Apesar das divergências nas pesquisas citadas acima, a maioria dos estudos sugere que o treinamento de força produz maior duração e magnitude do EPOC que os exercícios aeróbios (Burleson et al., 1998; Gillette et al., 1994, Drummond et al., 2005 ).

No estudo de Burleson et al. (1998), por exemplo, jovens treinados foram submetidos a duas diferentes sessões de exercícios. 1) Treinamento de força em forma de circuito: duas séries de oito exercícios com 60% de 1RM durante 27 minutos. 2) Exercício aeróbio: caminhada com VO2 médio equivalente a 44% do VO2máx e duração de 27 minutos. O objetivo da pesquisa foi verificar possíveis diferenças entre os EPOCs em 90 minutos de análise. Na conclusão do estudo, os resultados demonstraram maior magnitude do EPOC na sessão de treinamento de força. Os autores sugeriram que o fato desse tipo de atividade envolver grupamentos musculares diversos, em ambos os segmentos corporais, houve uma maior necessidade de VO2 para restaurar o estresse gerado ao organismo.

Drummond et al. (2005) também encontraram uma maior magnitude do EPOC no grupo que realizou o treinamento de força. No entanto, os protocolos utilizados foram diferentes. Oito exercícios com 70% de 1RM e um minuto e 45 segundos de intervalo entre as séries contra 25 minutos de corrida a 70% do VO2máx.

Com relação às diferentes combinações do treinamento de força, Thornton e Potteiger (2002) compararam alta intensidade (duas séries de circuito com oito repetições a 85% de 8RM) com baixa intensidade (duas séries de circuito, com 15 repetições a 45% de 8RM), ambos com 60 segundos de intervalo entre as séries. Os resultados revelaram que o exercício realizado com maior intensidade gerou um maior EPOC em todos os tempos estudados (20, 60 e 120 minutos), mesmo com igual gasto calórico.

Além da intensidade, a duração do intervalo de descanso entre as séries do treinamento de força também pode proporcionar diferentes respostas no EPOC. Ronald et al. (1999) compararam intervalos de 20 segundos e de 60 segundos entre duas séries de 20 repetições de oito exercícios com 41,4% de 1RM em forma de circuito. No final do estudo, os maiores valores do EPOC foram encontrados no grupo que utilizou o menor intervalo de recuperação.

Treinamento concorrente

O treinamento concorrente consiste em realizar treinamento de força e exercício aeróbio em uma mesma sessão. Esse tipo de proposta tem gerado alguns questionamentos, principalmente em relação à ordem de sua execução. Qual dos dois exercícios deveria ser realizado primeiro? Qual seria a melhor ordem de acordo com determinado objetivo? Com relação ao EPOC, realizar o treinamento de força depois do exercício aeróbio tem sido considerado mais eficiente (Lira et al. 2007; Drummond et al. 2005).

Gasto calórico após o treinamento de força

Lira et al. (2007), ao avaliar o treinamento concorrente, encontraram um gasto calórico médio acima do valor de repouso de 15 kcal, 30 minutos após o exercício. A sessão de treino consistiu em realizar três séries de 12 repetições em 4 exercícios com 70% de 1RM, depois de 30 minutos de aeróbio, realizado em esteira rolante numa intensidade de 90% da velocidade correspondente ao limiar anaeróbio. Já a ordem inversa, treinamento de força antes do aeróbio, o gasto calórico foi de 13 kcal.

Em outro estudo, Thornton e Potteiger (2002) utilizaram duas séries de nove exercícios com 8RM e um minuto de intervalo. Os resultados demonstraram um EPOC com 20 minutos de duração, o equivalente a 11 kcal de gasto calórico acima do valor de repouso.

Em um estudo mais recente, Ormsbee et al. (2007), após um treinamento em forma de circuito com três séries de 10 RM em 10 exercícios, encontraram uma magnitude do EPOC de 10 kcal em 45 minutos de duração.

Crommett e Kinzey (2004), ao testarem o treinamento de força, encontraram uma magnitude do EPOC um pouco maior que os dois estudos citados acima. Aproximadamente 67 kcal em 60 minutos, depois de três séries com carga para 10RM e intervalos de recuperação de um minuto, em cinco exercícios.

Já Burleson et al. (1998) avaliaram o EPOC em dois tipos de protocolos: 1) Duas séries de oito exercícios a 60% de 1RM em forma de circuito com VO² médio equivalente a 44% do VO2máx em 27 minutos de treino. 2) Corrida com mesma intensidade e duração do treinamento de força. Após 30 minutos de análise, os pesquisadores verificaram um gasto calórico de 95 kcal no treinamento de força contra 64 kcal do exercício aeróbio. Vale destacar que dos estudos citados neste texto, esse foi o que relatou a maior magnitude do EPOC.

Conclusões

A magnitude e a duração do EPOC mostraram-se maiores no treinamento de força no que no exercício aeróbio.

Quanto maior a intensidade e a duração do treinamento, maior serão a magnitude e a duração do EPOC.

Ao avaliar a ordem do treinamento concorrente, a magnitude do EPOC mostrou-se maior quando o treinamento de força foi realizado após o exercício aeróbio.

Mesmo com protocolos parecidos, vários estudos apresentaram EPOC diferentes. O que torna difícil definir qual protocolo seria mais eficiente.

Ao analisar as calorias gastas durante EPOC, podemos concluir que os valores são pouco expressivos no tocante ao balanço energético negativo.


Revista Brasileira de Medicina do Esporte
Print version ISSN 1517-8692
Rev Bras Med Esporte vol.13 no.6 Niterói Nov./Dec. 2007
doi: 10.1590/S1517-86922007000600009
ARTIGO ORIGINAL

Consumo de oxigênio pós-exercícios de força e aeróbio: efeito da ordem de execução.
Strength and aerobic post-exercises oxygen consumption: effect of the order of performance.

RESUMO

O treinamento concorrente é uma estratégia que vem sendo utilizada na intenção de maximizar o gasto energético tanto durante quanto após o exercício por meio do EPOC (excesso do consumo de oxigênio pós-exercício). No entanto, pouco se sabe sobre a influência da ordem de execução sobre o EPOC. O objetivo do presente estudo foi verificar a influência do tipo (aeróbio, força e concorrente) e da ordem (aeróbio + força ou força + aeróbio) do exercício sobre o EPOC. A amostra foi constituída por oito homens (idade: 24 ± 2 anos; massa corporal: 75,4 ± 3,7kg; e estatura: 179 ± 3,0cm), voluntários, com experiência em treinamento de força e aeróbio. Os sujeitos foram submetidos a um teste para a determinação do VO2pico (57,0 ± 2,9ml/kg/min) e teste de 1-RM para os exercícios de supino reto (68 ± 2kg), puxador costas (64 ± 3kg), cadeira extensora (51 ± 3kg) e mesa flexora (38 ± 3kg). O treino aeróbio foi realizado durante 30 minutos a 90% da velocidade correspondente ao limiar anaeróbio (10,3 ± 2,2km). O treino de força foi realizado a 70% de 1RM, dividido em três séries de 12 movimentos. O consumo de oxigênio (VO2) foi medido em repouso (R) e após as seguintes sessões: aeróbio (A), força (F), aeróbio-força (A + F) e força-aeróbio (F + A), utilizando calorimetria indireta durante 30 minutos, os quais foram divididos em três intervalos de tempo: T1 (0 a 10 minutos), T2 (11 a 20 minutos) e T3 (21 a 30 minutos). A comparação do VO2 entre as diferentes situações (R, A, F, A + F e F + A) para cada um dos períodos de tempo (0-10, 11-20; 21-30 min) foi realizada a partir de uma ANOVA a um fator com medidas repetidas, seguida por teste de Tukey. Em T1, o VO2 das diferentes sessões foi maior que o de R. Durante T2, o VO2 das situações F, A + F e F + A foi superior ao de R. Em T3, somente A + F resultou em EPOC.

Os resultados indicam que a ordem de execução influenciou o tempo de EPOC. Contudo, o gasto calórico decorrente do EPOC é bastante reduzido (? 15kcal).

INTRODUÇÃO

O balanço energético é resultante do consumo e do dispêndio de energia. Quando em desequilíbrio, pode ocorrer acúmulo ou redução das reservas de gordura corporal(1). O gasto energético diário (GED) pode ser fracionado nos seguintes componentes: taxa metabólica de repouso (TMR), efeito térmico da dieta (ETD) e atividade física (AF). A TMR é considerada o maior componente do GED, podendo representar aproximadamente 70% deste. A AF é o componente mais variável em termos de contribuição ao GED, em virtude do envolvimento da pessoa com essa prática(2).

Programas de exercícios têm sido utilizados na tentativa de aumentar o GED para prevenir ou combater a obesidade e para manutenção da saúde, juntamente com o controle da dieta. Nesses programas, o exercício aeróbio tem sido empregado com o objetivo de diminuir os estoques de gordura corporal e o exercício de força tem sido aplicado na tentativa de preservar ou aumentar a massa magra(3).

O treinamento de força ou o treinamento concorrente (exercício aeróbio e exercício de força) resulta, em longo prazo (dez semanas) em aumento da TMR em relação ao valor pré-treinamento ou em comparação aos ajustes decorrentes de um programa de exercícios aeróbios(4).

Um aspecto explorado freqüentemente para aumentar o GED é a realização de exercícios que aumentem o consumo de oxigênio () após a atividade, isto é, que gerem como ajuste momentâneo um excesso de consumo de oxigênio pós-exercício (EPOC, do inglês, excess post-exercise oxygen consumption). O EPOC tem sido dividido em dois componentes: (a) rápido queda acentuada em um período de aproximadamente uma hora e (b) prolongado - queda mono-exponencial com duração de algumas horas(5).

No caso dos exercícios aeróbios, a magnitude e a duração do EPOC parecem depender diretamente da intensidade e da duração do exercício. Nesse tipo de exercício a realização em intensidades entre 50 e 80% do máx por 5-20 minutos não tem gerado EPOC com duração além de 35 min. Quando a intensidade é próxima ao limiar ventilatório e a duração é de 20-40 min, o EPOC raramente excede 40 min. Contudo, quando o exercício aeróbio é realizado por mais tempo há aumento da duração do EPOC(5).

Para o exercício de força, a resposta tem sido mais variável do que ocorre com os exercícios aeróbios. Essa maior variação parece ser conseqüência da possibilidade de diversas combinações de intensidade, número de séries, número de repetições, número de grupos musculares por sessão, tempo de intervalo entre as séries, velocidade de execução, nível de aptidão física, idade, gênero e composição corporal do sujeito(1). Alguns pesquisadores relatam que os exercícios de força proporcionam EPOC entre 30 min e 38h(6-8). Recentemente, Drummond et al.(9) aplicaram protocolo de exercícios concorrente e verificaram o EPOC nas diferentes ordens de execução. Seus resultados apontam que a ordem de execução do exercício concorrente é determinante para uma maior magnitude do EPOC, tendo um maior consumo quando o exercício de força é realizado após o exercício aeróbio. Além disso, esses autores observaram que o exercício de força realizado isoladamente proporcionou EPOC por maior período de tempo (25 minutos) em relação ao exercício aeróbio. No entanto, temos que ressaltar que as diferenças encontradas pelos pesquisadores podem ter sido influenciadas pelo tempo de intervalo de recuperação nos exercícios de força, que foi de um minuto e quarenta e cinco segundos, ainda, o número elevado de exercícios, sete no total, o que é muito próximo do número máximo indicado por sessão (8) pelo ACSM. Outro aspecto que pode ser criticado nesse estudo(9) foi o fato do exercício aeróbio ter sido feito em intensidade relativa ao máx (70%), podendo essa intensidade estar acima do limiar anaeróbio para alguns sujeitos e abaixo para outros, o que resultaria em respostas metabólicas distintas para os participantes envolvidos no estudo.

A dificuldade em associar e relacionar os estudos com exercícios concorrentes está na diferenças de protocolos, modelo da aparelhagem utilizada, freqüência, duração, intensidade do treino e histórico dos participantes(10).

O Colégio Americano de Medicina do Esporte(3) recomenda a prática de exercícios aeróbios executados de forma contínua por 30-60 min, portanto, abaixo do limiar anaeróbio, 3-5 vezes por semana, na intenção de maximizar o gasto energético e diminuir o percentual de gordura. Por outro lado, também é recomendado a prática de exercícios de força para desenvolvimento de hipertrofia muscular(3). Para atingir esse objetivo têm sido utilizadas 3-4 séries de 8-12 repetições a 70-80% da carga máxima (1RM), com 1-2 min de intervalo entre as séries, envolvendo 4-8 exercícios por sessão, 3-5 vezes por semana. Também é freqüente que as pessoas realizem esses exercícios na seqüência, ou seja, exercício aeróbio seguido de exercício de força, embora existam estudos que indiquem a possibilidade de interferência nos ajustes em longo prazo, isto é, normalmente há um menor desenvolvimento da força e da hipertrofia muscular ao realizar o treinamento concorrente em relação ao treinamento de força realizado isoladamente(10,12). Para evitar ou minimizar essa interferência, Docherty e Sporer(11) sugerem que o exercício aeróbio seja realizado abaixo do limiar anaeróbio quando se pretende utilizar o exercício de força para o desenvolvimento da hipertrofia.

Com base na prescrição típica recomendada pelo ACSM(3) e considerando a sugestão de Docherty e Sporer(11), foi objetivo do presente estudo verificar a influência do tipo (aeróbio, força e concorrente) e da ordem (aeróbio + força ou força + aeróbio) sobre o EPOC.

MÉTODOS

Amostra

Foram sujeitos do estudo oito indivíduos do sexo masculino com idade entre 18 e 26 anos que concordaram em participar do presente estudo, após leitura e assinatura de um termo de consentimento informado, aprovado pelo Comitê de Ética local.

Consumo de oxigênio em repouso e pós-exercício

Para mensuração do em repouso e pós-exercício o sujeito teve que permanecer deitado, em repouso absoluto, acordado, em uma sala fechada com as luzes apagadas, durante trinta minutos. Durante esse período era feita a medida do , utilizando o analisador de gases VO2000 (Inbrasport), calibrado conforme as recomendações do fabricante. Para a mensuração do o sujeito não se submeteu, nas 48 horas anteriores a nenhum tipo de atividade física intensa. Também foi recomendado que os indivíduos mantivessem sua dieta rotineira antes de todas as sessões. A mensuração do consumo de oxigênio pós-exercício aconteceu a partir de dois minutos após o término de cada sessão de exercício (aeróbio, força, aeróbio-força e força-aeróbio). A ordem das sessões de exercício foi aleatória e o intervalo entre as sessões foi de pelo menos 48h e de no máximo cinco dias. O período total de análise foi subdividido em três intervalos de tempo: Tempo 1 (0 a 10 minutos), Tempo 2 (11 a 20 minutos) e Tempo 3 (21 a 30 minutos).

Para o cálculo do gasto calórico assumiu-se que cada um litro de oxigênio consumido representa o dispêndio de 5kcal ou 20,92kJ(13). O cálculo do gasto calórico foi estimado a partir desses valores fixos em vez do RER por razões justificadas por Jeukendrup e Wallis(14), os quais relatam que o uso da calorimetria indireta em exercícios de alta intensidade subestima a oxidação de lipídios pela elevação do CO2.

Teste para determinação da carga máxima

A determinação de carga máxima (1RM) foi realizada uma semana antes da aplicação dos treinos. Os indivíduos realizaram os testes em quatro aparelhos de musculação (Pórtico): supino reto, puxador costas, cadeira extensora e mesa flexora. Para determinação da 1RM nos diferentes aparelhos, o indivíduo realizou um aquecimento geral de cinco minutos em uma bicicleta Monark (modelo 838), de acordo com as recomendações da Sociedade Americana de Fisiologia do Exercício(15). Em seguida foi estimado pelo sujeito qual a sua carga máxima no aparelho a ser realizado o teste. Na seqüência, o sujeito realizou oito repetições com 50% da carga estimada de 1RM, seguido por intervalo de três minutos, e nova série, com três repetições com uma carga equivalente a 70% de 1RM estimada. Após três minutos de descanso era iniciado o teste para determinação de 1RM. Para determinação de 1RM foi estabelecido um máximo de cinco tentativas, com descanso de 3-5 minutos de uma tentativa para outra. A partir de 1RM de cada aparelho foi determinada a intensidade de 70% para prescrição dos exercícios de força.

Prescrição dos exercícios de força

Os exercícios foram realizados na seguinte ordem: supino reto, cadeira extensora, puxador costas e mesa flexora. Estes exercícios foram sistematizados em três séries a 70% da carga máxima (1RM, determinada em sessão separada nos mesmos aparelhos), solicitando que os participantes realizassem 12 repetições em cada série. As repetições foram contadas em todas as séries. O valor era anotado caso o sujeito não conseguisse realizar as repetições preconizadas. Foram adotados intervalos de dois minutos entre as séries. Essa prescrição seguiu as recomendações de Melby et al.(7). A sessão teve duração aproximada de 30 minutos.

Teste para determinação do pico e limiar anaeróbio

Para determinação do pico e do limiar anaeróbio foi realizado um teste progressivo em esteira rolante modelo Aegean 6200. Neste protocolo, o sujeito realizou teste escalonado com velocidade inicial de 5km/h, que foi aumentada em 1km/h a cada 3 minutos. Ao final de cada estágio foi coletada uma gota de sangue do lóbulo da orelha para determinação da concentração do lactato sanguíneo durante o teste. Para isso foi utilizado um lactímetro da marca Accusport, validado por Fell et al.(16). Quando a concentração de lactato ultrapassava o valor de 3,5mmol/L, a velocidade era aumentada em 0,5km/h a cada minuto e o lactato não era mais mensurado. Para determinação do Limiar Anaeróbio foi utilizada a concentração fixa de 3,5mmol/L(17). Durante todo teste o sujeito ficou conectado ao analisador de gases para determinação do pico. A freqüência cardíaca foi monitorada através de um freqüencímetro da marca Polar (modelo Beat). Em todos os casos, o teste foi encerrado quando o sujeito chegou à exaustão voluntária, ou seja, sinalizava não conseguir manter a velocidade estabelecida. O pico foi determinado a partir da média dos últimos 30 segundos do teste na última velocidade alcançada pelos sujeitos.

Prescrição do exercício aeróbio

O sujeito realizou o exercício na esteira rolante numa intensidade correspondente a 90% da velocidade correspondente ao Limiar Anaeróbio (determinado em teste aeróbio realizado anteriormente), durante 30 minutos.

Prescrição do exercício concorrente nas diferentes seqüências

Os exercícios (aeróbio e força) foram iguais aos descritos acima. Porém, nesta fase, os indivíduos realizaram os dois tipos de atividades na seqüência (aeróbio seguido de força ou força seguido por aeróbio), totalizando aproximadamente uma hora de exercícios. O intervalo de descanso para transição de um exercício para outro foi de dois minutos.

Análise estatística

A comparação do consumo de oxigênio entre as diferentes situações (repouso, aeróbio, força, aeróbio-força e força-aeróbio) para cada um dos períodos de tempo (0-10 min, 11-20 min; 21-30 min e 0-30 min) foi feita a partir de uma análise de variância a um fator com medidas repetidas. Não foi realizada comparação entre os períodos de tempo, pois é bem descrito na literatura que há uma queda do consumo de oxigênio pós-atividade com o passar do tempo(5). A comparação entre o desempenho nos exercícios de força foi feita através de uma análise de variância a dois fatores (série e situação) com medidas repetidas. Os resultados estão expressos em média e erro padrão. O teste de Tukey foi utilizado quando identificada diferença na análise de variância. Em todas as análises, utilizou-se o nível de significância de 5% (p < 0,05). Os testes paramétricos foram conduzidos após constatação da normalidade e esfericidade dos dados(18).

DISCUSSÃO

O objetivo do presente trabalho foi analisar a influência da ordem de execução do exercício concorrente sobre o consumo de oxigênio pós-exercício, uma vez que esse tipo de atividade é usado como uma estratégia para maximizar o gasto energético.

O resultado nos primeiros dez minutos de recuperação demonstrou existência de EPOC, confirmando o encontrado por outros autores(6,8,19-20). No presente estudo foi possível observar que não houve efeito aditivo das situações, uma vez que o EPOC nos primeiros dez minutos não diferiu entre as diferentes propostas de exercício. Assim, o início do EPOC parece não ser afetado pela combinação de exercícios (aeróbio e força) de forma a diferenciá-lo de uma situação com apenas um tipo de exercício executado isoladamente.

No entanto, recentemente, Drummond et al.(9) avaliaram a influência da ordem do exercício concorrente sobre o EPOC. Resultados apresentados por esse grupo demonstram que a ordem de execução do exercício concorrente promove influência sobre o EPOC nos primeiros 10 min, tendo maior magnitude quando o exercício de força é realizado após o exercício aeróbio. Porém, temos que levar em consideração que o número elevado de exercícios de força, o intervalo de tempo de recuperação e ainda, a intensidade do exercício aeróbio (70% do máx), podem ter influenciado os resultados(11).

Para o exercício aeróbio, o EPOC deixou de ocorrer do décimo primeiro minuto até o vigésimo minuto, indicando que esse tipo de exercício executado isoladamente confere uma menor magnitude ao EPOC. Tais dados corroboram com resultados encontrados por Drummond et al.(9). Outros autores encontraram EPOC por período superior ao do presente estudo(19-20). No entanto, sabe-se que variações na intensidade e na duração do exercício aeróbio afetam o EPOC(5). Neste tipo de exercício, a realização em intensidades entre 50 e 80% do máx por 5-20 minutos não tem gerado EPOC com duração maior que 35 min. Quando a intensidade é próxima ao limiar ventilatório e a duração do exercício de 20-40 min, raramente o EPOC excede 40 min(5). Por outro lado, em nosso estudo, para o período de 11-20 min, a utilização do exercício de força isoladamente ou em combinação com o exercício aeróbio resultou em manutenção do EPOC, porém sem efeito aditivo quando os exercícios eram combinados. Tais resultados corroboram com aqueles encontrados no estudo de Drummond et al.(9), onde a combinação dos exercícios aeróbio e de força nas diferentes ordens não apresentou diferença no EPOC para o período de 11-20 min, porém, o exercício de força isolado continuava proporcionando EPOC mais elevado em relação ao exercício aeróbio isolado.

Considerando que não houve diferença significante no número de repetições nos diferentes exercícios de força entre as situações, pode-se concluir que a existência do EPOC se deve essencialmente ao exercício de força, uma vez que não foi detectada alteração significante entre as situações que contavam com o exercício de força e que a realização exclusiva do exercício aeróbio não foi capaz de manter o EPOC até esse período para o grupo analisado.

Do vigésimo primeiro minuto até o trigésimo minuto, somente o treino aeróbio-força resultou em manutenção do EPOC. Esse dado sugere que a ordem de execução tem impacto sobre o EPOC, isto é, sua duração aumenta quando o exercício de força é realizado logo após o exercício aeróbio, mas não quando a ordem contrária é utilizada, na qual houve apenas uma tendência de manutenção do EPOC. No entanto, é importante ressaltar que o número reduzido de sujeitos no presente estudo pode ter limitado o poder estatístico dos testes empregados.

Tais dados não foram observados por Drummond et al.(9), pois somente o exercício de força proporcionou EPOC até 25 min após o término do exercício, mostrando que a metodologia empregada para elaboração do protocolo dos exercícios concorrentes dificulta a comparação dos estudos(11).

Durante o exercício, sabe-se que o aumento das concentrações hormonais, como o cortisol e as catecolaminas, o aumento da atividade enzimática, do fluxo de substratos e da concentração do lactato na circulação, são fatores que auxiliam em uma maior magnitude e duração do EPOC(21-22). Sabendo desses fatores que influenciam o EPOC, os resultados encontrados no presente estudo indicam que o fator que pode ter promovido a permanência do EPOC apenas na situação aeróbio-força pode ser atribuído a um possível aumento na concentração de lactato ou de hormônios na circulação após esse tipo de sessão. Na ordem inversa (força-aeróbio), provavelmente ocorreu uma maior mobilização do lactato e diminuição das concentrações hormonais durante o exercício aeróbio(9). Conseqüentemente, a necessidade de consumo adicional de oxigênio no período de recuperação foi menor. O fato da remoção do lactato ser apenas um dos fatores a contribuir para o EPOC pode explicar o fato da não existência de diferença no consumo de oxigênio nesse período, entre a situação aeróbio-força e as demais, embora com manutenção do EPOC.

Quando os trinta minutos de recuperação foram considerados, apenas a situação com exercício aeróbio não resultou em EPOC. Adicionalmente, como todas as demais situações não diferiram entre si, a combinação de exercícios aeróbio e de força pode ser descartada como estratégia para aumentar a magnitude do EPOC. Dados semelhantes foram encontrados por Drummond et al.(9), sendo que somente o exercício de força resultou em maior duração do EPOC, não tendo efeito adicional das diferentes combinações. Outro fator que contra-indica a execução desses exercícios (aeróbio e força) conjuntamente é o menor desenvolvimento de força e hipertrofia muscular em longo prazo(10-11). Não obstante, é preciso destacar que o gasto calórico resultante do EPOC é bastante pequeno para o período (15kcal na situação com maior EPOC).



CONCLUSÃO

Com base nos resultados pode-se concluir que a ordem de execução do treinamento concorrente promove aumento no tempo de existência do EPOC apenas quando o período de recuperação é subdividido, isto é, apenas para a situação aeróbio-força houve existência de EPOC no período de 21-30 min.

Nos dez minutos iniciais todas as combinações de exercício (aeróbio, força, aeróbio-força e força-aeróbio) resultaram em EPOC de igual magnitude. No período de 11-20 min, apenas as sessões que foram compostas por exercício de força proporcionaram EPOC, mas sem efeito adicional em decorrência da combinação com o exercício aeróbio. Finalmente, quando o período total analisado (30 min) é considerado, apenas o exercício aeróbio não resultou em EPOC e todas as demais situações foram similares entre si quanto à magnitude do EPOC. Contudo, é importante ressaltar que o gasto calórico resultante do EPOC é bastante reduzido nesse período (15kcal ou 0,5kcal.min-1), indicando que seu impacto sobre o gasto calórico total é baixo.



REFERÊNCIAS

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